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A dor crônica interfere na saúde mental dos pacientes e na sua vida cotidiana

Por Lúcia Oliveira Rocha

A dor crônica acomete em média 35,5% da população mundial, em sua maioria mulheres e muitos estudos estão sendo desenvolvidos acerca das respostas e interferências emocionais, comportamentais e cognitivas que pacientes com dores crônicas desenvolvem em seu processo de adoecimento. Apesar da busca por tratamento médico ser crescente, muitos pacientes desconhecem a necessidade do acompanhamento psicológico como tratamento complementar. A necessidade desse acompanhamento surge durante o processo de adoecimento, tanto pelas mudanças que este paciente precisa promover em seus hábitos e rotina, como devido às adaptações sociais e individuais para uma melhor qualidade de vida.

 

“Porque isto está acontecendo comigo?” – Dentre os fatores relacionados ao adoecimento psicológico do paciente com dores crônicas, estão os seus contextos psicossociais e individuais. As crenças distorcidas quanto à gravidade da doença; a preocupação exacerbada de um agravamento do quadro clínico e sintomático, seguido de pensamentos de catastrofização; dúvidas e preocupações quanto à possibilidade de mudanças e perdas em sua estrutura relacional (família, relacionamento afetivo, etc.) interferem negativamente no desenvolvimento de uma relação intrafamiliar saudável, assim como na percepção do paciente sobre seu funcionamento produtivo (trabalho), social e emocional.

 

É comum pacientes de dores crônicas desenvolverem baixa auto-estima, pensamentos disfuncionais autodepreciativos e catastróficos, auto-percepção distorcida acerca de sua aparência, preocupação com o futuro (continuidade e agravamento do quadro clínico e a finitude da vida), ideias de incapacidade e sofrimento psíquico. Pensamentos negativos como “porque isto está acontecendo comigo?”, “ninguém entende o que estou passando!”, “isto está me matando aos poucos!”, “não aguento mais” são expressões escutadas na psicoterapia como desabafo à falta de esperança, à ansiedade e tristeza que, somado ao cansaço, falta de ânimo, excesso ou diminuição do sono, colaboram para o desenvolvimento de quadros clínicos como depressão e transtorno de ansiedade.

 

Como a família e amigos podem ajudar? – Na clínica psicológica, pacientes com quadros clínicos geradores de dores crônicas como fibromialgia, artrite reumatoide, lúpus, psoríase, tendem a trazer queixas relacionadas à falta de acolhimento e entendimento da família e amigos quanto ao sofrimento físico e emocional que vivem cotidianamente. Tal percepção interfere negativamente na leitura de sua aceitação intrafamiliar e social, assim como, em sua noção de pertencimento – “estou me tornando uma pessoa chata e queixosa”, “não têm paciência se não tenho ânimo para sair da cama ou de casa”.

 

Por ser, a dor crônica, um processo individual e invisível aos olhos de quem não a vivencia, é compreensível que gere nos familiares destes pacientes uma dificuldade de entendimento do seu sofrimento real. Pacientes com dores crônicas precisam, na maioria, de cuidados especiais que requerem o envolvimento da família e de pessoas de seu convívio diário. Tal necessidade pode gerar mudanças na estrutura familiar e no seu cotidiano, o que pode ocasionar, também, um adoecimento psíquico de quem convive com estes pacientes, uma vez que isto interfere na saúde mental de todos. Por isto, é tão importante o entendimento da família quanto ao quadro clínico, assim como, a participação no processo de alívio dos sintomas e tratamento psicológico.

 

Acreditar que apenas o acompanhamento médico é suficiente, para tratar estes pacientes e quem os auxilia, é fechar os olhos para a melhora da qualidade de vida de todos os envolvidos. Este é um processo doloroso e a ausência de conhecimento e participação só tende a aumentar o sofrimento. O ideal é que haja um acompanhamento clínico psicológico individual e familiar para diminuir o desenvolvimento de doenças psicológicas e as já existentes.

 

Lúcia Oliveira Rocha é psicóloga cognitivo-comportamental, atua como psicoterapeuta realizando acompanhamento psicológico com crianças, adolescentes, adultos e idosos.

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Tenho Lúpus. Posso engravidar?

Por Dra. Isabella Lima

Essa é a dúvida de muitas mulheres e cada caso deve ser avaliado separadamente, já que a gravidez em pacientes com Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) depende de algumas variáveis. Vale ressaltar que sim, é possível, mas uma reposta mais acertada vai depender de uma análise por parte do reumatologista, pois é uma gravidez que requer cuidados especiais, portanto deve ser planejada.

Em geral, a doença por si só não é uma contra indicação absoluta para a gravidez, mas ela deve estar em remissão (inativa) por no mínimo seis meses para evitar uma reativação. Também é imprescindível avaliar quais medicamentos estão sendo usados no momento que se decide pela gravidez. Há medicações que podem ser mantidas, sem efeitos colaterais para o bebê, mas a maioria deles deverá ser suspensa no momento, ou antes, do período gestacional, a depender da droga. Então, não basta estar em remissão, tem que avaliar o tratamento que está sendo utilizado no período. Por isso o momento de engravidar deve ser planejado e discutido também com um médico reumatologista para fazer adaptações no tratamento caso seja necessário.

Riscos – Já durante a gestação, os cuidados necessários são, além do acompanhamento regular com o reumatologista e obstetra, a proteção contra o sol, manter uma dieta e hábitos saudáveis e evitar o estresse. Isso pode evitar riscos como o de abortos, pré-eclampsia (hipertensão arterial), nascimento prematuro do bebê ou com baixo peso.

A presença do anticorpo Anti Ro, provoca na criança o risco de desenvolver Lúpus Neonatal. De fato, o Lúpus Eritematoso Sistêmico não é transmissível para o bebê, mas esta síndrome é o reflexo da presença temporária do anticorpo da mãe na circulação fetal. Assim, a presença desse anticorpo pode causar lesões cutâneas passageiras e sua manifestação mais grave e, felizmente, rara, é o bloqueio atrioventricular, que deixa  as batidas do coração do bebê mais lentas. Esse problema pode ser identificado já durante o período pré-natal, demandando a necessidade de cuidados específicos logo após o nascimento, como a colocação de marca-passo.

Outra característica que pode estar relacionada ao Lúpus e a gestação são os abortos de repetição, que, entre outras causas, podem estar relacionados à presença de anticorpos Anti-Fosfolípides. A presença destes anticorpos e, dependendo do histórico da gestação e da ocorrência de tromboses anteriores, vai requerer orientações específicas durante o pré-natal, para que a gravidez transcorra bem até o final.

Bebês saudáveis – Felizmente, na grande maioria das vezes, quando seguidas as orientações médicas, as pacientes com Lúpus dão à luz filhos saudáveis. No momento de escolher um obstetra é importante que esse profissional esteja preparado para atender às particularidades dessa gravidez, além de ter um contato próximo com o reumatologista. As mães, sobretudo aquelas de primeira viagem, se sentem fragilizadas pela mudança da rotina e as dificuldades inerentes a uma gestação. Por isso é importante que essa mãe e o bebê tenham uma rede de apoio, do pai, familiares e amigos, para enfrentarem esse período de alegria e muitas mudanças sem sofrer com a  doença!

 

Dra. Isabella Lima é reumatologista, Doutora pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, professora adjunta da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia e Preceptora do programa de Residência em Reumatologia do HUPES.

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Dia Mundial de Luta Contra a Aids

A data tem como objetivo desconstruir o preconceito em relação às pessoas vivendo com HIV/AIDS e conscientizar, sobretudo os jovens e idosos, sobre comportamentos seguros de prevenção, pois os números de infectados entre esses públicos vêm crescendo. No caso dos jovens, por ignorarem a gravidade da doença e no caso dos idosos, pelo desenvolvimento de novas formas de relacionamento, sem o uso de preservativos.

Hoje o dia é de reforçar a solidariedade e a compreensão em relação às pessoas infectadas pelo HIV/aids.