Doença-De-Behçet

Doença de Behçet – O que é, quais os sintomas e tratamentos

 

 

 

 

Chamada de Síndrome ou Doença de Behçet, a enfermidade se caracteriza como vasculite, ou seja, uma inflamação dos vasos sanguíneos, que atinge mucosas, pele e órgãos internos e que ainda tem sua causa não completamente explicada pela ciência. Seus principais sintomas são aftas e úlceras genitais, que aparecem de forma recorrente. Além disso, pode atacar olhos, articulações e sistema nervoso. Os sintomas da Síndrome de Behçet geralmente surgem em homens e mulheres, entre os 20 e 40 anos de idade, porém homens jovens de origem asiática apresentam manifestações mais graves da doença.

 

A doença tem cunho genético e fatores ambientais como infecções podem ajudar a desencadeá-la. Não existem exames que possam diagnosticar a doença, o médico deve interpretar os sintomas e o histórico de saúde do paciente e então, depois de excluir outras possibilidades, fazer o diagnóstico. Para ter um diagnóstico mais acertado, o reumatologista pode contar com o auxílio de outras especialistas como o oftalmologista.

 

Sintomas – Os sintomas da Doença de Behçet são recorrentes, ou seja, melhoram com o tratamento, mas voltam a aparecer. Um dos sintomas mais comuns são as aftas dolorosas, que, em geral, surgem muito antes de se ter um diagnóstico. Elas podem surgir em qualquer parte da cavidade oral, variam em número e tamanho e duram mais de uma semana, mas não deixam cicatriz. Essas aftas podem estar associadas (ou não) a úlceras genitais, lesões de pele, dores articulares, inflamação no olho, alterações neurológicas, intestinais, inflamação e trombose nas veias e formação de aneurismas em diferentes artérias.

Olhos: Diferentes partes do olho podem ser inflamadas em pacientes com doença de Behçet e os termos médicos para essa inflamação são conhecidos por uveíte, vasculite na retina e vitreíte. Essas inflamações, se não tratadas, podem levar à cegueira, por isso a necessidade do acompanhamento regular com oftalmologista.

Cérebro: Quando atinge o cérebro a doença pode causar sintomas como dor de cabeça forte, que não melhora com analgésicos, até sintomas parecidos com os de um derrame cerebral e dificuldades de memória e raciocínio. É importante observar esses sintomas e falar para o seu médico.

Intestino: Quando a doença atinge essa parte do corpo, os sintomas são dor na barriga tipo cólica, diarreia e sangue nas fezes.

Vasos sanguíneos: A inflamação nos vasos sanguíneos pode levar a tromboses nas veias de qualquer parte do corpo, seja nas pernas, no abdome ou no interior do crânio.

 

Tratamento – O tratamento da doença de Behçet depende das queixas do paciente e dos órgãos afetados. Como os sintomas podem ser interpretadaos como sendo de outras doenças, é importante que o paciente converse com seu médico e não se automedique. As aftas podem ser tratadas com anestésicos e corticosteróides tópicos, além de antissépticos bucais. Agentes imunossupressores como azatioprina, ciclofosfamida, ciclosporina e metotrexate são reservados para manifestações graves como a inflamação do olho, as manifestações neurológicas ou vasculares. Dependendo da resposta de cada paciente també podem ser usados medicamentos imunobiológicos, especialmente com agentes anti-TNFα.

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Psoríase: Como a doença impacta na qualidade de vida dos pacientes?

 

A psoríase, doença autoimune marcada pela formação de placas na pele, descamação, sensação de queimação, coceira e dor, afeta o bem-estar de quem convive com ela, sejam pelos prejuízos na qualidade de vida ou pela ansiedade e sentimentos depressivos que acomete os portadores da doença.

Estigmatizada, por falta de conhecimento, muitos acreditam que se trata de algo transmissível e quem tem a enfermidade acaba escondendo o corpo para evitar situações constrangedoras. Desta forma, além do tratamento propriamente dito, dos sintomas, em geral, é proposto um acompanhamento psicológico que pode ajudar a pessoa a encarar melhor tais situações e enfrentar as questões emocionais.

Pesquisa realizada no ano passado no Brasil identificou entre os pacientes o impacto da doença em suas vidas. Entre aqueles ouvidos, 63,7% disseram sentir algum impacto na sua qualidade de vida; 63,1% relataram sentirem dor ou desconforto. Outros 45,1% disseram sofrer com dores nas articulações e 54,1% reclama de ansiedade ou sintomas depressivos, sendo que 9,9% possuem depressão severa.

É fundamental o tratamento adequando, que ameniza os sintomas e a busca de orientação sobre os hábitos que devem ser adotados para que se tenha uma vida de maior qualidade portando esta condição. Há fatores como o sol, atividade física e alimentação que ajuda o tratamento tópico.

Tem dúvidas sobre psoríase? Mande sua pergunta pelos comentários ou através do nosso Instagram @clinicarserdabahia que vamos tentar esclarecê-la!

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10 coisas que eu gostaria de falar para pacientes com Lúpus

Por Dra. Ana Luiz, médica reumatologista da Clínica SER da Bahia

1- Quando eu estava no meu primeiro mês da residência em Clínica Médica, acompanhei uma paciente com Lúpus, muito bonita, guerreira e sorridente. Seu quadro se agravou subitamente e foi para UTI. Fui à capela do hospital e rezei para que Irmã Dulce operasse um milagre, pois ela não podia partir tão cedo. Infelizmente meu pedido não foi atendido e me lembro de quando abracei a filha dela que chorava muito. Ela tinha a mesma idade que eu quando perdi a minha mãe. Nunca vou me esquecer desse dia, pois a partir dele aflorou a minha vontade de escolher a Reumatologia para cuidar de pessoas com Lúpus.

 

2- Lúpus é a doença mais fascinante que já estudei na vida. Mas ela é tão absurdamente desafiadora, que, por mais conhecimento que eu tente acumular, continuam surgindo situações diferentes do que está descrito nos livros e artigos. Nesses casos, me sinto extremamente impotente e com a sensação de que nada sei.

 

3- Quando eu dou um diagnóstico de Lúpus, por mais tranquila e calma que eu pareça estar, por dentro estou lutando para não transparecer que também estou triste e preocupada com você. Eu preciso te dizer que tudo vai ficar bem, mas eu sei que dias difíceis virão. Principalmente se você é um (a) paciente do SUS, pois encontraremos algumas barreiras na sua assistência, que vão além da minha vontade.

 

4- Quando você me conta sobre suas dores e lutas diárias e eu digo “eu imagino como deve estar sendo difícil para você…” , na verdade, por mais que eu tente, eu nunca vou conseguir saber realmente o que você passa. Eu preciso que você confie em mim para continuar contando o que sente e que saiba que eu farei o máximo para te ajudar a encarar com coragem cada fase de atividade da doença.

 

5- Quando você me pergunta se Lúpus tem cura, eu preciso dizer que não. Eu não posso te prometer um tratamento mágico. Alguns médicos farão isso, às vezes você pode até gostar mais deles, mas eles estão mentindo para você. Dizer que não tem cura não quer dizer que deixarei de buscar incansavelmente pela remissão dos sintomas e por uma melhor qualidade de vida para você.

 

6- Eu também percebo as mudanças no seu corpo, por conta da doença e da necessidade do uso de corticóides nas fases ativas. Eu gostaria de ter outras opções, mas quando precisamos agir rápido não há outra saída. Eu sei como essas mudanças vão abalar sua autoestima, mas eu preciso dizer para não pensar nisso agora, mesmo sabendo que é inevitável.

 

7- Conversar com outras pessoas com Lúpus e ler relatos na internet é muito importante e vai te ajudar a lidar melhor com a doença. Mas nunca se esqueça que você é única (o), logo não deve comparar e achar que o que aconteceu com o outro irá acontecer com você. Ler sobre casos graves não vai te fazer bem, mas ler sobre estratégias de enfrentamento, sim!

 

8- Algumas vezes quando não consigo dormir pensando no seu caso, ou quando recebo uma mensagem ou ligação no feriado ou final de semana, eu penso que poderia ter escolhido outro trabalho para minha vida. Ou que poderia me envolver menos. Não é sua culpa, mas ser sua médica pode ser emocionalmente desgastante para mim em alguns momentos. Existirão dias em que não vou estar bem e posso ser mais seca ou impaciente. Te peço desculpas por esses dias.

 

9- Você precisa ser protagonista da sua história! Não seja dependente de mim ou de ninguém. Não espere ouvir uma bronca minha para começar a se cuidar. Além dos remédios, você precisa de coragem e resiliência para enfrentar o Lúpus. Isso eu não posso receitar, está dentro de você.

 

10- Por último, você já sabe: cuidado com o sol, use protetor solar, não esqueça de tomar os remédios e compartilhe comigo se quiser engravidar e vamos encontrar juntas o momento certo.

 

Obrigada por confiar em mim!

 

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A dor crônica interfere na saúde mental dos pacientes e na sua vida cotidiana

Por Lúcia Oliveira Rocha

A dor crônica acomete em média 35,5% da população mundial, em sua maioria mulheres e muitos estudos estão sendo desenvolvidos acerca das respostas e interferências emocionais, comportamentais e cognitivas que pacientes com dores crônicas desenvolvem em seu processo de adoecimento. Apesar da busca por tratamento médico ser crescente, muitos pacientes desconhecem a necessidade do acompanhamento psicológico como tratamento complementar. A necessidade desse acompanhamento surge durante o processo de adoecimento, tanto pelas mudanças que este paciente precisa promover em seus hábitos e rotina, como devido às adaptações sociais e individuais para uma melhor qualidade de vida.

 

“Porque isto está acontecendo comigo?” – Dentre os fatores relacionados ao adoecimento psicológico do paciente com dores crônicas, estão os seus contextos psicossociais e individuais. As crenças distorcidas quanto à gravidade da doença; a preocupação exacerbada de um agravamento do quadro clínico e sintomático, seguido de pensamentos de catastrofização; dúvidas e preocupações quanto à possibilidade de mudanças e perdas em sua estrutura relacional (família, relacionamento afetivo, etc.) interferem negativamente no desenvolvimento de uma relação intrafamiliar saudável, assim como na percepção do paciente sobre seu funcionamento produtivo (trabalho), social e emocional.

 

É comum pacientes de dores crônicas desenvolverem baixa auto-estima, pensamentos disfuncionais autodepreciativos e catastróficos, auto-percepção distorcida acerca de sua aparência, preocupação com o futuro (continuidade e agravamento do quadro clínico e a finitude da vida), ideias de incapacidade e sofrimento psíquico. Pensamentos negativos como “porque isto está acontecendo comigo?”, “ninguém entende o que estou passando!”, “isto está me matando aos poucos!”, “não aguento mais” são expressões escutadas na psicoterapia como desabafo à falta de esperança, à ansiedade e tristeza que, somado ao cansaço, falta de ânimo, excesso ou diminuição do sono, colaboram para o desenvolvimento de quadros clínicos como depressão e transtorno de ansiedade.

 

Como a família e amigos podem ajudar? – Na clínica psicológica, pacientes com quadros clínicos geradores de dores crônicas como fibromialgia, artrite reumatoide, lúpus, psoríase, tendem a trazer queixas relacionadas à falta de acolhimento e entendimento da família e amigos quanto ao sofrimento físico e emocional que vivem cotidianamente. Tal percepção interfere negativamente na leitura de sua aceitação intrafamiliar e social, assim como, em sua noção de pertencimento – “estou me tornando uma pessoa chata e queixosa”, “não têm paciência se não tenho ânimo para sair da cama ou de casa”.

 

Por ser, a dor crônica, um processo individual e invisível aos olhos de quem não a vivencia, é compreensível que gere nos familiares destes pacientes uma dificuldade de entendimento do seu sofrimento real. Pacientes com dores crônicas precisam, na maioria, de cuidados especiais que requerem o envolvimento da família e de pessoas de seu convívio diário. Tal necessidade pode gerar mudanças na estrutura familiar e no seu cotidiano, o que pode ocasionar, também, um adoecimento psíquico de quem convive com estes pacientes, uma vez que isto interfere na saúde mental de todos. Por isto, é tão importante o entendimento da família quanto ao quadro clínico, assim como, a participação no processo de alívio dos sintomas e tratamento psicológico.

 

Acreditar que apenas o acompanhamento médico é suficiente, para tratar estes pacientes e quem os auxilia, é fechar os olhos para a melhora da qualidade de vida de todos os envolvidos. Este é um processo doloroso e a ausência de conhecimento e participação só tende a aumentar o sofrimento. O ideal é que haja um acompanhamento clínico psicológico individual e familiar para diminuir o desenvolvimento de doenças psicológicas e as já existentes.

 

Lúcia Oliveira Rocha é psicóloga cognitivo-comportamental, atua como psicoterapeuta realizando acompanhamento psicológico com crianças, adolescentes, adultos e idosos.